Sexta-feira, 20 de Agosto de 2010

ALFAIATES FECHA A SUA ESCOLA PRIMÁRIA

Na longa lista de Escola Primárias fechadas, conta-se, no Concelho do Sabugal, a Escola de Alfaiates e a de Vale de Espinho. É uma tristeza que a Escola feche, por falta de alunos. Melhor fosse que por outras razões, por exemplo, por falta de condições físicas, que isso seria fácil de remediar.

Trata-se de uma realidade inelutável. De entre as causas está a chamada «desertificação do Interior». As pessoas, por falta de condições económicas e de estruturas de apoio, tiveram que emigrar' para as cidades do Litoral, sobretudo, para Lisboa e Porto. Essa debandada começou depois de eu ter feito a escolaridade primária. Dos muitos alunos que éramos, ao tempo, talvez uns cinquenta, só dois ficaram na terra. Os restantes rumaram para fora da terra, já que não podiam emigrar para França, coisa que só veio a acontecer nos anos sessenta, 15 anos mais tarde.

Por outro lado, a falta de gente das aldeias provocou um abaixamento da natalidade, agravada pelo facto de, agora, mesmo os casais férteis, terem uma ou duas crianças.

Esta falta de natalidadeé a característica mais notável e grave do nosso país. E o governo, para agravar a situação - governo que escorna para a esuerda, que é canhoto, ainda tem agravado mais a situação com as suas leis anti-natalidade e fomento do aborto. O que me leva a dizer que este governo é um aborto e será o maior responsável pela grave crise do país. Sócrates tem sido o coveiro do país, mas nunca foi, nem será acusado disso, de má governação. Os deputados só se afligem por ele mentir! mas que é isso de mentir, comparado com a destruição do país? Mas alguém já o culpou de má gestão do país? Não, senhores!

Temos que aceitar o fecho da Escola de Alfaiates e das 700 a somar às 2.500 que a Lulu fechou quanDo era Ministra da Educação e teve que sair antes que tivesse destruído por completo a Educação em Portugal. não faltou muito.

Não há nada a fazer quanto ao fecho das Escolas. Não há nada que dê mais vida e alegria a uma terra do que as suas crianças.

Ainda me lembro, era eu criança e era uma satisfação de entusiasmo ver tantas crianças e jovens numa alegria esfusiante, sobretudo à noite, depois de encerradas as escolas. Era uma regurgitação reconfortante e um bulício constante onde reinava a felicidade. Apesar de não haver dinheiro e sermos todos pobretes, mas alegretes.

Agora...

*

 

publicado por argon às 12:23
link do post | comentar | favorito
|
Domingo, 8 de Agosto de 2010

OFERTA DE LIVROS

Há dois anos, sendo mordomo das Festas de Alfaiates o Ilídio Inês ofereci, por seus intermédio 100 livros de «Humor em Pedaços», o meu último livro, para os mordomos venderem e recolherem o fruto das vendas para as despesas das Festas.

publicado por argon às 21:48
link do post | comentar | favorito
|
Segunda-feira, 26 de Julho de 2010

O SOITO (SABUGAL) PROMOVIDO A VILA

 

Não me levem a mal os conterrâneos da minha terra eu hoje vir falar de uma terra diferente da minha. Não sou daqueles que acham que não devemos enaltecer as outras terras na suposição de que, com isso, estamos a apoucar a nossa. Não é verdade. Defendo que até é uma virtude a gente ter inveja de terras vizinhas, sobretudo quando fazemos desta inveja estímulo para fazer progredir a nossa.

Toda a gente sabe que o Soito foi recentemente promovido a vila. Se poderá haver discussão quanto a algumas das restantes 28 promovidas na mesma altura, quanto ao Soito, temos que dizer que só perdeu pela demora. Pois trata-se da terra do concelho do Sabugal mais progressiva e economicamente mais rica. Os seus habitantes souberam, ao longo de todos estes anos, a partir da II guerra mundial, ser bairristas e batalhadores ao ponto de terem chegado aonde chegaram. Qualquer visitante poderá observar que se trata de uma terra onde o progresso mais se fez sentir, onde foi maior a aposta no desenvolvimento, onde os seus habitantes investiram na sua terra os lucros hauridos do contrabando. Podemos dizer que cedo procuraram desenvolver-se tanto no ponto de vista económico, - comercial, industrial, como no social e, até, no político: têm G.N.R., Bombeiros, Centro de Saúde, Lar da 3ª Idade, Médico, Farmácia, a Central dos Telefones, Banco. E têm uma palavra importante a dizer quando se trata de eleger os membros autárquicos. Além das outras estruturas e serviços que as outras aldeias também têm.

Mas esta terra, ao contrário de outras do concelho, é bem o exemplo do que é o bairrismo ou amor à terra e sempre souberam que uma terra, se quiser progredir e aumentar a qualidade de vida dos seus habitantes sem a muleta dos favores oficiais, têm que puxar todos para o mesmo lado e cada um dar o seu contributo: os que têm o dinheiro e os que têm o valor intelectual e a influência.

O Soito é vila. Ora, isto o que é que devia significar? Que o 'Sabugal' passaria a ficar mais perto das localidades mais vizinhas, através de um processo de descentralização administrativa. Os habitantes de Alfaiates teriam de calcorrear, apenas, 5 em vez de 20 quilómetros para resolverem os seus problemas administrativos. No entanto, se fizermos as contas bem feitinhas, havemos de reparar que nada mudou no 'depois', comparado com o 'antes' de ser vila. Todas as repartições públicas continuarão concentradas na sede do concelho. Diremos, então, que apenas se trata de uma distinção honorífica, de prestígio, de uma operação de charme político, o que é muito pouco do ponto de vista comunitário, a nível concelhio. Ora, tratando-se de um dos maiores concelhos do país, com 40 freguesias, haveria mais que razões para não se obrigar as pessoas a deslocarem-se 30 quilómetros, à vezes, até, para o simples reconhecimento de uma simples assinatura. Diremos, mesmo, que este gesto político só seria de aplicar se se fizesse do Soito a sede de um novo concelho.

Pelar razões expostas, o Soito está de parabéns e declaro que me sinto orgulhoso pela promoção que mais não é do que o reconhecimento de que esta vila se distingue das outras terras do concelho pelo progresso a todos os níveis e pela qualidade de vida atingida pelo esforço interessado dos seus habitantes.

 

publicado por argon às 13:58
link do post | comentar | favorito
|
Quinta-feira, 22 de Julho de 2010

ALFAIATES - MONUMENTOS NACIONAIS

Em Alfaiares havia uma grande peça de artilharia ou canhão,  que, desde criança, eu me habituei a ver no Terreiro do Mercado, perto do Castelo.

Mas um dia, o presidente da Cãmara da Guarda lembrou-se de a desviar, sem ai, nem ui, para um museu da Guarda, onde ainda hoje se encontra.

Imaginem um buraco de uns cinco metros de comprido com uma abertura circular na boca de entradae de  meio metro de diâmetro, por 30 centímetros na extremidade. Esse buraco todo revestido a ferro forjado ou lá o que seja e a vomitar fogo pelo buraco! Uma relíquia que desapareceu do Terreiro do Mercado, era eu ainde novo, já lá vão muitos anos. mas guardo na memória essa memorável peça ou relíquia, como se a visse hoje. Mais um rapinanço , meus senhores!

Daí as quadras sobre os Monumentos Nacionais com uma pergunta pertinente repetida e o grito final. 

Ora leiam:

 

Alfaiates, vila erguida,

de glórias e de tormentos,

tens a tua idade esculpida

nos teus velhos MONUMENTOS.

 

- E A PEÇA DE ARTILHARIA?

 

Em questões de patriotismo,

mostraste sempre desvelo;

para prova do heroísmo,

tens o teu velho CASTELO.

 

- E A PEÇA DE ARTILHARIA?

 

Deste cartas e sobejas

de amor, paz, bem e concórdia;

sobressai, entre as Igrejas,

a IGREJA DA MISERICÓRDIA.

 

- E A PEÇA DE ARTILHARIA?

 

P’ra punir os criminosos

S´o havia um caminho:

para jovens e idosos,

Havia o alto PELOURINHO.

 

- E A PAEÇA DE ARTILHARIA?

 

Para honrar a Virgem-Mãe,

vinha gente de toda a parte;

Dispenseira de paz e bem,

É o SANTUÁRIO DA SACAPARTE.

 

- E A PEÇA DE ARTILHARIA?

 

O trabalho sério e honrado

Fez sempre esta gente feliz;

aos domingos abençoado

no altar da IGREJA MATRIZ.

 

- E A PEÇA DE ARTILHARIA? 

 

Os reis sempre confiaram

nestes grandes valentões;

vigilantes, se escudaram

atrás dos altos TORREÕES.

 

- E A PEÇA DE ARTILHARIA? 

 

A coragem tens escrita

na fugida das gentalhas;

gente tua i’miga grita,

a fugir das tuas MURALHAS.

 

- E A PEÇA DE ARTILHARIA?

 

Da inteireza do Património

já a Vila se não ufana:

foi por um gesto gratuito, erróneo,

destruída a PONTE ROMANA.

 

- E A PEÇA DE ARTILHARIA?

 

- EIS QUE A RESPOSTA JÁ TARDA!

 SEM SE SABER A RAZÃO! 

 QUEM ACODE? Ó DA GUARDA!

 AGARRA, QUE É LADRÃO!

*

publicado por argon às 17:59
link do post | comentar | favorito
|
Segunda-feira, 14 de Junho de 2010

...

O     P  A  R  A  L  T  A

 

UM RETRATO A CORPO INTEIRO

 

Ninguém sabia o seu nome de baptismo, talvez porque não foi baptizado. Ninguém sabia onde nem quando nasceu. Muito menos quem eram os seus progenitores. Conheci-o já na sua idade de adulto, era eu ainda criança, este andarilho da triste figura.

Era alto, de magras carnes, de uma certa beleza apolínea – daí, talvez a alcunha, sempre trajando da mesma forma: um par de calças cinco centímetros acima dos tornozelos, uma camisa velha e enxovalhada e um casaco mal aparado e, por vezes, um chapéu, uns pés compridos, sem meias, enfiados nuns sapatos velhos que, em novos, deviam ter ficado bem a quem lhos deu. Cabelo geralmente curto e desgrenhado, dava mostras de nunca ter visto pente, tinha uns olhos faiscantes, de olhar penetrante que amedrontava tudo e todos quando calhava de mostrar-se em passagem rápida e cadenciada, nas suas raras passagens pelas ruas da freguesia.

Não possuía bilhete de identidade, nem qualquer documento de identificação. Não pagava impostos porque não tinha nada de seu, apenas, como S. João de Deus, os palmos da estrada que ia pisando. Não pagava renda de casa porque não tinha casa, nem sítio costumeiro em que se refugiasse, de dia ou de noite. Era uma espécie de fantasma em figura de gente, um vagamundo, sem eira nem beira, nem ramo de figueira. Andava sempre a pé, sempre com o mesmo fato e nunca ninguém o viu a pedir boleia ou a deslocar-se em qualquer meio de transporte. Nunca exerceu nenhuma profissão. Presume-se que não sabia ler nem escrever, sendo um analfabeto puro na verdadeira acepção da palavra, pois nunca ninguém lhe viu nenhum escrito nas mãos que, por norma, andavam sempre desocupadas. As suas malas e bagagens estavam sempre em estado de prontidão, pois deslocava-se sempre desprovido fosse do que fosse. Nunca foi visto a trabalhar. Nunca teve dinheiro consigo até por nunca ter precisado dele e duvida-se que o soubesse contar.

O sentimento de posse que é um dos apanágios mais característicos, marcantes e sagrados da grandeza humana, estava nele em grau zero, pois não era senhor ou detentor de nada. O mesmo se diga da ambição que obriga uma pessoa a caminhar em frente.

Sociabilidade, nenhuma. Nunca ninguém o vira acompanhado ou a conversar fosse com quem fosse. Também ninguém podia arrogar-se da dita de o ter visto a rir. A sua cara demonstrava um homem sisudo, naturalmente calejado pelos desconcertos do mundo, sempre muito sorumbático e circunspecto. Chorar, não se sabe se alguma vez chorou, podendo aventar-se a hipótese de nunca ter derramado uma lágrima. Não é que não tivesse razões de sobejo para isso, face às injúrias e injustiça que iam caindo sobre ele. Apesar disso, nunca se queixou da sorte e a sua consciência nunca o teria acusado de nenhuma falta e sempre o inocentou.

As crianças temiam-no e fugiam dele como o diabo da cruz, os jovens escarneciam dele, mas só de longe, lançando-lhe, alguns mais atrevidotes, mas com a retaguarda de retirada em mira, escondendo-se em seguida, o inocente labéu de «olha o bicho!» ou: «cascarão!». Os mais adultos ignoravam-no pura e simplesmente.

Ninguém sabia onde ele dormia, nem como se sustentava aquela figura esbelta em figura de gente. Jamais houve alguém que se pudesse gabar de ter tido, ao menos, dois dedos de conversa com ele. Ninguém sabia qual a natureza, nem o timbre da sua voz. Mas todos admiravam as excelências harmoniosas do seu canto quando, na escura calada da noite e na intermitência do sono, julgavam estar a ouvir alguma voz de querubim da corte celestial.

O seu rol de povoações que visitava, talvez sob um critério criteriosamente definido, circunscrevia-se a um raio de cinco quilómetros e as terras visitadas eram ciclicamente as mesmas. Mas Alfaiates, minha terra de nascimento, do concelho do Sabugal, exerceu sempre sobre ele um certo fascínio, com base no facto de ser a terra mais visitada, pois era a terra onde ele permanecia com mais demora e assiduidade, embora nunca tivesse assentado arraiais em terra nenhuma. Nunca ninguém soube explicar porquê. Quando estava, várias vezes percorria as ruas da freguesia uma abaixo, outra acima, naquele seu ar de solitário, guiado, não se sabe, por que estrela, mas sempre com as horas marcadas e os passos sempre medidos e obedecendo a um certo ritual que nunca ninguém soube, nem teve a curiosidade de esquadrinhar. Cada viagem era para tomar o peso, medir o tamanho e apalpar o pulso à freguesia. Pelo caminho encontrava só desprezo, escárnio e cobardia.

Nunca se soube o que o levava a mudar de cenário, optando por se transferir sem armas, nem bagagens, de uma terra para outra. Não se sabia como aquele ser humano passava o tempo, certamente sem se aborrecer, apesar do seu sempre infindo farniente. Talvez que o tempo fosse, para ele, um ponderável inexistente, assim conseguindo subtrair-se à sua acção erosiva e talvez fosse por isso que o seu relógio eram o Sol, a Lua e as Estrelas do firmamento. Para quê medir o tempo, se os dias eram todos iguaizinhos uns aos outros?

Nunca ninguém se deu conta de este corpo franzino, fruto de dias infindos e de noites mal dormidas, de cansaços e de fomes, ter estado de cama a curtir alguma doença. Se alguma vez esteve, nunca ninguém deu por isso ou se preocupou. Nunca constou que tivesse batido às portas de qualquer Hospital, Clínica ou Centro de Saúde, que tivesse consultado algum médico e, menos, que tivesse entrado a aviar-se em alguma farmácia. Apesar do seu aspecto enfermiço, magricela e desfalecido.

A sua presença dava à freguesia uma aura de estremecimento misterioso, inexplicável, a rescender a sobrenatural. Quando ele estava na aldeia parecia que a atmosfera do ar que se respirava continha em si qualquer sorte de mistela a que ninguém podia ficar indiferente.

Nunca se lhe ouviu um queixume, uma palavra ou atitude de desdém, talvez porque o seu constante silêncio foi uma atitude perene de escárnio e de desdém. E razões não lhe faltaram para se revoltar contra o desprezo e a injustiça dos homens. Efectivamente, nunca tendo conhecido o conforto de uma boa cama, muitas vezes passou os dias e as noites esquecido no desconforto de uma prisão sem condições dignas de uma pessoa humana, a cumprir penas ditadas no acto de transgressão/acusação: um pequeno cubículo de aldeia, sem luz, sem enxerga, sem qualquer espécie de arrimo que não fossem o chão e as paredes.

Não consta que alguma vez tivesse ido a tribunal reconhecer as suas culpas ou atestar a sua inocência. Por vezes, via-se na necessidade de cometer pequenos furtos para a sua sobrevivência. Como resposta, a justiça da aldeia surgia pronta para justiçar este pobre de Cristo, que se oferecia, qual mansa ovelha, sem resistência, nem queixume.

Podemos dizer que a vida deste infeliz era um contínuo martírio, tudo lhe falecendo na vida: falecia-lhe o doce aconchego familiar, faleciam-lhe os amigos, falecia-lhe o calor da amizade e da compreensão humanas e o suprimento da ajuda fraterna. Apontados contra ele como setas, só ódios, malquerenças, desprezos e punições. Em troca do seu silêncio, da sua inocência, do seu perdão.

Este retrato pretende ser uma homenagem póstuma e um acto de desagravo em favor de um homem que nos marcou quando éramos crianças, mas que pela nossa tenra idade, não tínhamos os sentimentos de compaixão nem o desejo de solidariedade que temos hoje, agravados, ainda, pelo facto de vivermos em ditadura que era forte com os fracos e fraca com os fortes.

OBSERVAÇÃO: Quando, num almoço de conterrâneos, eu descrevi a vida deste andarilho, tal como faço neste texto, e perguntei, no fim, a alguns que conheceram o Paralta, se tinham alguma coisa a discordar ou a acrescentar, eles responderam-me: «Era assim, tal e qual»

Artur Gonçalves.

publicado por argon às 18:35
link do post | comentar | favorito
|
Sexta-feira, 23 de Abril de 2010

A ESTRADA MAIS BEM SINALIZADA DO PAÍS

 

 

 

 

Uma grande preocupação tem invadido todo o país por causa do elevado número de casos de sinistralidade nas nossas estradas. E com toda a razão. Basta ver todos os dias os noticiários da televisão e os títulos da comunicação social escrita para confirmarmos esta dura e trágica realidade. Os números são assustadores. Todos os dias morre gente nas nossas estradas. Portugal ocupa, neste aspecto, um dos lugares cimeiros, em termos de sinistralidade, na Europa civilizada. As entidades fiscalizadoras não se cansam de reforçar as brigadas de trânsito por ocasião de férias, de pontes ou de fins de semana prolongados. Os resultados  parecem ser cada vez mais alarmantes. A verdade é que ninguém possui a varinha mágica para minimizar a situação.Toda a gente dá sentenças sobre as maneiras mais eficazes de estancar esta sangria desatada. Tudo parece permanecer como dantes, senão pior.

Todos apontam como uma das causas mais responsáveis pela hecatombe rodoviária a falta de sinalização ou a sinalização deficiente. E a verdade é que grande parte dos acidentes se deve a esta anomalia. «Fiscalização de sinalização em estudo há um ano» – titulava na primeira página o «Jornal de Notícias» do dia 19.08.01. O que prova que o Governo reconhece a necessidade de uma revisão profunda da sinalização.

Hoje, para enaltecer um caso raro nesta matéria, apraz-me trazer para esta coluna o resultado do que me foi dado verificar numa estrada do concelho de Sabugal, aquando de uma visita relâmpago que fiz à minha terra natal – Alfaiates, - uma povoação do (nosso) concelho de Sabugal.

A estrada a que me refiro é a que liga Vilar Formoso a Alfaiates, numa extensão de 24 quilómetros. É ver para crer. Apenas com três sinaléticas diferentes, fica esclarecido todo o trajecto da via: a proibição de ultrapassar, o respectivo fim de proibição e a sinalização de curva perigosa com setas bem vivas e bem postas, a dar a extensão da curva em número de uma, duas ou três, no máximo. O condutor, se seguir escrupulosamente os sinais rodoviários e se observar os limites de velocidade, pode conduzir sua máquina sem perigo. As rectas, sendo todas de pequena extensão e sendo as curvas pouco pronunciadas, quase poderíamos dizer que houve excesso de zelo na proliferação de tal sinalização. Mas, quando se trata de questões de segurança, nada é demais. 

É verdade que a estrada desliza numa superfície plana. Mais uma razão para os aceleras se afoitarem, acelerando desabridamente. No entanto, se cumprirem as regras claramente estampadas ao longo do percurso verificarão que têm a seus pés uma estrada com a maior garantia de segurança. Para os condutores que duvidarem do que deixo escrito, aconselho-os a fazerem a viagem de dia. Para os  ainda mais incrédulos, aconselho-os a fazerem-na de noite e verificarão, tanto pela maior luminosidade dos sinais, como  pela proliferação dos mesmos, que é verdade o que afirmo.

Mesmo quando as curvas são de pequeno ângulo, o automobolista é informado do espaço a partir do qual pode acelerar sem perigo, porque transpôs a curva e se lhe segue uma recta sem lomba. Então, naquelas que obrigam a uma tripla sinalização, o desenho da estrada é de tal ordem que, num breve relance de vista,  o condutor fica de posse de todos os elementos de segurança para poder avançar sem receio, nem perigo, porque todas as curvas são precedidas do sinal de proibição de ultrapassar, seguidas das setas e do sinal de fim de proibição de ultrapassagem.

Atrevo-me a dizer que, tanto o traçado como a sinalização desta via podem servir de modelo a outras estradas do país, - tão deficientemente traçadas e sinalizadas.

Para a diminuição dos sinistros nas nossas estradas, é imprescindível que o senhor automobilista cumpra as regras ou sinais que vão sendo assinalados ao longo das vias. O que não acontece, normalmente. Infelizmente, o condutor, – o condutor português, pois é dele que se trata, o que quer não é chegar, mas chegar depressa, passando pelos sinais de trânsito, sem os ler e muito menos com a intenção de os cumprir, procurando ultrapassar tudo e todos, a todo o custo. Daí que se possa aplicar ao condutor português em geral a seguinte definição de Wood Allen:«o condutor perigoso é aquele que vos ultrapassa, apesar de todos os vossos esforços para o impedir».

A terminar, deixo a seguinte máxima tanto para os aceleras, como para os outros: mais vale perder um minuto na vida, do que perder a vida por um minuto.

 

Artur Neto Gonçalves

 

publicado por argon às 14:56
link do post | comentar | favorito
|
Quinta-feira, 22 de Abril de 2010

USOS E COSTUMES ANTIGOS E OS MODERNAÇOS

NO MEU TEMPO

 

No tempo em que me criei, numa aldEia onde campeava a pobreza, como na maior parte das aldeias portuguesas de província, nos tempos idos de Salazar,

 

ERA SINAL DE POBREZA

e motivo de troça ou/e de comiseração:

 

- andar com as calças coçadas;

- andar com as calças rotas e sujas;

- andar Com calças de pana (bombazina);

- usar 'chancas', em vez de sapatos;

- usar caLçAs com remendos, especialmente nos joelhos, nos fundilhos, no cu, ou nos 'cu'tovelos;

- andar com os cabelos desgrenhados, sujos ou compridos;

- ter calças de cotim;

- vestir peças de vestuário de tamanhos desproporcionados e de cores disparatadamente diferentes;

- ter as calças tão compridas que, no acto de andamento, varressem o chão.

 

HOJE

 

Tudo isso significa (em termos citadinos e de moda):

- andar na moda;

- vestir à moderna;

- ser rico ou de classe média ou, pelo menos, não ser pelintra.

 

Os modos e peças de vestir que hoje passam por sinal de rico e de pedante, fazem-se com os mesmos materiais e (des)fazamentos do meu tempo, só que, então, não tinham subido à categoria de excelência, nem eram tão ameneiradas as vestimentas como são hoje em dia. Os rapazes do meu tempo envergonhavam-se da sua pobreza demonstrada no seu modo de vestir, os de hoje orgulham-se de poder mostrar as vestes de marca de empresas que vivem à custa da vaidade e da prosápia da juvantude de hoje.

 

Daqui se conclui que as modas é que contam e que o resto é paisagem para esquecer.

 

Ainda a propósito, transcrevo uma frase que mandei há tempos para o Diário de Notícias e este publicou:

 

Os 'jeans' mais caros do mundo, desde sempre, apresentados em Paris, custam mil euros. A foto não engana: uma 'top model' linda de pasmar, esbelta, espectacular, exibindo um par de calças coçadas, rotas e esburacadas no joelho direito (e que joelho!).

Quando eu era garoto, lá na aldeia, só os pobrezinhos (coitadinhos!) vestiam assim.

O tempore! O mores! 

 

publicado por argon às 11:44
link do post | comentar | favorito
|
Terça-feira, 20 de Abril de 2010

ALFAIATES

Aqui, neste grande e alto outeiro

 

Lutaram, como indómitos guerreiros,

 

Fortes, destemidos e façanhudos,

 

Aqueles que, de espírito altaneiro,

 

Iluminaram, a golpes de coragem,

 

As gestas, com seus elmos e escudos,

 

Transmitindo às outras gerações

 

Essas qualidades de patritismo e ousadia,

 

Sem as quais, ALFAIATES não seria.

publicado por argon às 22:26
link do post | comentar | favorito
|
Sábado, 17 de Abril de 2010

UM BLOGUE PARA ALFAIATES

Pois é verdade! hoje criei um novo blogue dedicado à minha terra de naturalidade que se chama Alfaiates. Fica localizada no Concelho de Sabugal, a 10 km. de Espanha, a 24 de Vilar Formoso, a 20 do Sabugal, sede de concelho e a 50 da Guarda. É uma terra cuja origem se perde na noite dos tempos. Os seus monumentos  - é uma terra monumental de muito interesse patrimonial a arquitectónico. Tem sdo viositada por muitos curiosos, e estudiosos, sobretudo universitários.

Ao longo do tempo, irei produzindo textos sobre a minha terra de ontem e de hoje e sobre o que se passava no tempo em que nela vivi e passei dos mais agradáveios momentos da minha vida.

É muito bom podermos recordar esses tempos. E, então, com a facilidade tecnológica dos meios de hoje em dia à nossa disposição, ainda mais fácil se torna. Longe vão so tempos em que, como director do jornal da terra «Mensagem da Saudade» me via aflito para publicar cada um dos números do jornal. Não havia computadores, era tudo escrito com a ajuda de máquinas de escerver, com os inconvenientes que se conhecem. Até para corrigir uma letra, uma palavra, uma frase, um texto, era preciso apagar com meios imperfeitos. Agora, basta, para isso, carregar na tecla 'del' e tudo o que quisermos fica apagado. E, até, supondo que queremos voltar a ver um texto que, sem querermos, tínhamos apagado, era impossível fazê-lo aparecer de novo. Agora isso é possível carregando, apenas, num sinal para o efeito.

SAÚDO TODOS OS MEUS CONTERRÂNEOS QUE QUISEREM VISITAR ESTE BLOGUE E QUISEREM, TAMBÉM, NELE COLABORAR. AGRADEÇO QUE SE PRONUNCIEM SEMPRE QUE CONSULTAREM ESTE BLOGUE PARA EU SENTIR ESTÍMULO EM CONTINUAR. SUPONDO QUE NINGUÉM ME LÊ, EU PERGUNTO PARA QUE SERVE EU ESTAR PARA AQUI A PREGAR SÓ PARA MIM. ALIÁS, HOUVE ALGUNS CONTERRÂNEOS QUE ME INCENTIVARAM A CRIAR ESTE CONTACTO VIA iNTERNET. ORA BEM! CÀ ESTOU, EU POIS A FAZER O MEU TRABALHO DE CASA. ESPERO QUE OS MEUS LEITORES TAMBÉM FAÇAM O DELES, LENDO. é SEMOPRE MAIS FÁCIL LER DO QUE ESCREVER.  

Ainda falta colocar uma foto de um dos monumentos da nossa terra. Tenho muitas, mas não sei onde as meti. Remodelei o meu escritório e não sei onde as pus. mas elas hão-se aparecer. 

E falta, também, eu escrever mais textos. Assunto, vos garanto, não faltará!

DAQUI ENVIO A TODOS OS MEUS CONTERRÂNEOAS UM GRANDE ABRAÇO.

 

publicado por argon às 18:02
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|

teste

teste

publicado por argon às 15:39
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Agosto 2010

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
19
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


.posts recentes

. ALFAIATES FECHA A SUA ESC...

. OFERTA DE LIVROS

. O SOITO (SABUGAL) PROMOVI...

. ALFAIATES - MONUMENTOS NA...

. ...

. A ESTRADA MAIS BEM SINALI...

. USOS E COSTUMES ANTIGOS E...

. ALFAIATES

. UM BLOGUE PARA ALFAIATES

. teste

.arquivos

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Abril 2010

.favorito

. QUERO SER UMA TELEVISÃO

. O ANDARILHO VAGAMUNDO

. BODAS DE OURO MATRIMONIAI...

. A GUERRA MODERNA POR OUTR...

. DEUS, SUA VIDA, SUA OBRA

. UM CONTRASTE CIONTRASTANT...

. FALEMOS DE LIVROS

. TENHO UMA PALAVRA A DIZER

. AS CINQUENTA MEDIDAS - UM...

. O SÍTIO ATÉ ERA LINDO...

blogs SAPO

.subscrever feeds